quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

BRASILÂNDIA: UM BAIRRO INJUSTIÇADO

A situação atual da Brasilândia é a seguinte: Éum bairro que não têm áreas verdes ou praças, não possuí instituições culturais organizadas que propiciem cultura ou entretenimento à população – a Escola de Samba Rosas de Ouro fundada na Brasilândia, saiu do bairro na década de 70.
No bairro não há agência bancária; não é beneficiado por nenhuma avenida de fundo de vale (há três vias, Petrônio Portela, Fuad Luttfala e João Paulo 1º paralisadas há décadas há menos de dois quilômetros); não há segurança, projetos sociais/ culturais por parte do governo são insuficientes, com exceção de um circo-escola do governo do Estado, na vila Penteado, que supre parte ínfima da necessidade local, e o projeto Criança Esperança, da Rede Globo, instalado no final de 2005 no Centro Esportivo Brasilândia, não mais nada.

ÍNDICES
O distrito de Brasilândia, segundo Pró-Aim (órgão municipal), foi em 1.999 o sétimo bairro onde mais morrem pessoas vítimas de violência (foi o primeiro, em 98, ao lado do Jd. Ângela); está entre os quatros primeiros de maior contingente de nordestinos e também concentra a maior população negra da Capital. Estes dados, por si só, dão um panorama do grau de pobreza e exclusão que a população do mesmo se insere.
Nos bairros formadores do distrito Brasilândia o abandono sempre foi total. O Jardim Damasceno, localizado na borda da Serra da Cantareira, é exemplo clássico do descaso por parte da Prefeitura em décadas, até receber o CEU da Paz no final da gestão da prefeita Marta Suplicy – mas já veio literalmente abaixo em duas ocasiões, em junho de 93, e com as chuvas de verão, em março de 91. O local (um morro) tem constituição argilosa extremamente porosa e, logo, imprópria para ser loteado, o que o prefeito da época “não viu”. Embora tenha sido socorrido, na gestão da prefeita Luíza Erundina, que construiu enormes muros de arrimo, de lá pra cá, entretanto, convive com ruas esburacadas e abandono total até hoje. Há um projeto de dessassoreamento do córrego do Canivete e construção de parque linear no local, mas depende de se construir habitação para os moradores que ali habitam sobre o córrego.

CEU, UMA DAS MELHORIAS
Os Jardins Carumbé e Paulistano ilustram também o descaso dos governos para com o povo. Embora tenham população relativamente organizada e reivindicativa estes bairros de fundo da Brasilândia não receberam melhorias urbanas, sofrendo com enchentes, condução deficitária e falta de acessos rápidos para o Centro, etc. Na gestão atual (prefeito Gilberto Kassab) teve iniciada a obra do CEU Paulistano – que segundo previsão será inaugurado já no segundo semestre deste ano (2007).
Mas, o problema maior do distrito Brasilândia é mesmo a violência, resultado direto da exclusão social e cultural aqui esboçada. O grande contingente de jovens, a maioria desempregada ou no subemprego, acaba entrando diretamente na delinqüência. Crime, droga, gangue e vadiagem são caminhos largos que se abrem à frente e onde sempre há vaga. As mortes por causas banais nos botecos é outro mal – este também diretamente ligado ao fato da Brasilândia não ter praças, parques, áreas de lazer e programas voltados ao jovem. Também nesta gestão (em janeiro de 2006) a vila Brasilândia viu um grande terreno ser transformado na Praça Benedita Cavalheiro e agora ali se constrói um Telecentro.

Texto de Célio Pires.

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá
Meu nome é Kenia Fernandes,tenho 18 anos,sou estudante de jornalismo(2°semestre)e moro na Brasilândia há 6 anos.
Realmente o que foi postado é uma realidade,as pessoas do bairro são muito amigas...apesar de toda a violência que lá vive escondida...O cirso escola,não da conta de todo problema social que o bairro enfrenta.Acredito que o governo e prefeitura deveriam se preocupar mais e se unir para tentar cuidar ao menos das nossas crianças,que são o futuro do nosso´país...
Gostaria de ter mais dados estatisticos sobre o bairro porque estou fazendo um trabalho de conscientização social,na faculdade.Desde já agradeço pelo espaço de resposta,e espero que meu comentário seja postado.
Obrigada.

regis disse...

Realmente uma vergonha... um descaso pelos nossos governantes aos nossos jovens e idosos; onde kem paga somos nos... a sociedade...Onde esta o art. 5. da CF..?? talvez, ainda, nao tenha sido didaticamente e explicitamente anunciado as camaras; assembleias;palacios; senados;etc..etc...BRASIL MOSTRA SUA CARA..ATE KDO ESPERAR...ATE KD AJOELHAR... ESPERANDO A AJUDA DE DEUS?????

BelezaShow disse...

Olá, muito tem se falado e nada tem sido feito realmente. Tenho uma pequena Lan House na Vila João Batista e que eu tenho visto é que algumas pessoas, não tem o mínimo de educação, não conheçe a Lei, não é informada ou notificada que queimar lixo e provocar o mal estar das pessoas e prejudicar o planeta, é Crime. Alguns desinformados jogam lixo e outros piores, botam fogo em tudo. Espero que alguma autoridade ou político acomodado veja este Blog belíssimo e nossos comentários e tome providencias. Jose Fernandes

Morais disse...

Boa noite a todas e todos.
Sou residente Jardim Paulistano bairro do Distrito de Brasilandia há 32 anos.
Acompanhei grandes mobilizações para que hoje moradores mais novos possam usufruir de alguns benefícios.
Há 32 anos o Jardim Paulistano era apenas mato com um grande lixão nas torres de eletricidades no final da Estrada da Cachoeira, hoje o bairro conta com UBS, AMA, Padarias, Transportes (Várias linhas) que mesmo ainda com atuação precária consegui suprir a necessidade dos trabalhadores (90%) que é de chegar ao trabalho, ou chegar até um hospital.
Mesmo travando algumas lutas (Fome, falta de recursos básicos) eu minha família conseguimos sobreviver.
Hoje sou funcionário de uma renomada instituição de ensino (PUC/SP) onde consegui formação em Serviço Social e sou mestrando no Programa de Psicologia Social. Curso ainda na Faculdade Paulista de Serviço Social especialização em Políticas e Práticas de Promoção Social.
Em 2008 idealizei, escrevi e implantei na Igreja Presbiteriana Independente de Vila Brasilandia o Projeto NASF - Núcleo de Atendimento Social à Família. Nesse projeto atendemos toda a demanda dos moradores do bairro e bairros vizinhos. Atendemos mulheres vítimas de violência e homens agressores.
Hoje estamos atuando na Igreja Presbiteriana Independente de Vila Terezinha, próximo ao ponto final da Lotação Terezinha/Lapa - linha 9191.
Não pretendo sair do bairro mesmo depois de terminar o mestrado e especialização e cursar o doutorado, pois precisamos permanecer no bairro para melhora-lo.
Não adianta vivermos toda a sorte de miséria e depois quando conseguimos algumas conquistas abandonarmos o bairro e não contribuir para que outros moradores consegam também pelo menos refletir sobre a sua realidade e se tornar um protagonista de sua própria realidade.
Sou maluco pela Brasilândia e quero contribuir ainda mais com este distrito maravilhoso.
Segue os trabalhos realizados no Projeto NASF:
Alfabetização, Grupo reflexivos de gênero, bazar social, curso de informática, mural de vagas de emprego, biblioteca solidária.
Meus contatos são: 11 39219979 - 11 98077337
Um grande abraço a todos (as) moradores (as) do distrito de Brasilandia.